Igrejas de Deus:
nossa história
Das raízes evangélicas e dos movimentos de renovação espiritual à organização e expansão da Igreja de Deus Missionária.
Nossa identidade bíblica e raízes evangélicas
Nós, das Igrejas de Deus, reconhecemos que fazemos parte da ampla família de igrejas evangélicas que têm nas Sagradas Escrituras, a Bíblia, o fundamento de sua fé e prática.
Entendemos que uma das grandes contribuições da Reforma Protestante foi reafirmar a centralidade e a autoridade das Escrituras para a vida cristã. Por essa razão, toda tradição humana, ainda que fundamentada em bons argumentos e propósitos, deve permanecer sujeita à autoridade da Palavra de Deus.
Nesse sentido, reafirmamos os princípios que marcaram a Reforma: Sola Scriptura (somente a Escritura), Sola Gratia (somente a graça), Sola Fide (somente a fé), Solus Christus (somente Cristo) e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus).
Ao longo da história do cristianismo evangélico, reconhecemos a contribuição de homens e mulheres que, em diferentes épocas e contextos, participaram da defesa da fé, da reflexão teológica, dos movimentos de renovação espiritual e da expansão missionária da Igreja.
Entre essas referências históricas encontram-se John Wycliffe, Jan Hus, Girolamo Savonarola, Martinho Lutero, John Knox, João Calvino, Henry Jacob, Jacobus Arminius, John Bunyan, Philipp Jakob Spener, Nikolaus von Zinzendorf, Jonathan Edwards, John Wesley, Charles Wesley, George Whitefield, William Carey, Christmas Evans, Charles Grandison Finney, David Livingstone, Hudson Taylor, Charles Haddon Spurgeon, Dwight L. Moody e Evan Roberts.
Esses e muitos outros cristãos, conhecidos ou anônimos, contribuíram para o desenvolvimento da teologia, da espiritualidade, da evangelização e da atividade missionária que marcaram as diversas expressões da Igreja Evangélica ao redor do mundo.
Influências históricas e espirituais
No desenvolvimento histórico e espiritual com o qual as Igrejas de Deus se identificam, reconhecemos também a influência dos movimentos pietista, avivalista e de santidade (holiness), que enfatizaram uma vida cristã marcada pela oração, santificação, comunhão com Deus, compromisso com as Escrituras e atuação do Espírito Santo.
Na memória institucional das Igrejas de Deus, ocupa lugar de destaque o Grande Avivamento do País de Gales, ocorrido entre 1904 e 1905, cuja repercussão ultrapassou as fronteiras daquele país e alcançou movimentos de oração, evangelização e missões em diversas partes do mundo.
Reconhecemos, ainda, a importância do desenvolvimento do movimento pentecostal na Escandinávia, especialmente por meio de lideranças como Thomas Ball Barratt, na Noruega, e Lewi Pethrus, na Suécia, bem como sua influência sobre diferentes iniciativas missionárias.
Ao longo desse percurso, outras referências ministeriais também exerceram influência sobre diferentes gerações cristãs, entre elas Evan Roberts, Gunnar Vingren, Daniel Berg, Oswald J. Smith, Frida Vingren, Otto Nelson, Nels Julius Nelson, Adina Nelson, Frank Mangs, David Martyn Lloyd-Jones, Aldor Peterson, Dietrich Bonhoeffer, Henry Jeffrey, Gustav Bergström, Billy Graham, John R. W. Stott, Ruth May Johansson, David Wilkerson, Gustaf Arne Johansson e Loren Cunningham, entre muitos outros que dedicaram suas vidas à proclamação do Evangelho e ao cumprimento da Grande Comissão.
O Avivamento do País de Gales
Um dos principais nomes associados ao Avivamento do País de Gales foi o jovem galês Evan John Roberts.
Desde a juventude, Roberts demonstrava profundo interesse pela oração e pelos relatos de avivamentos espirituais. Em 1904, aos 26 anos, enquanto se preparava para o ministério, participou de uma reunião conduzida pelo evangelista Seth Joshua, em Blaenannerch.
Durante uma oração, Joshua pediu que Deus os dobrasse à Sua vontade. Aquelas palavras produziram profundo impacto em Evan Roberts, que passou a fazer sua própria oração de entrega: “Senhor, dobra-me”.
Roberts já vinha orando intensamente por um despertamento espiritual. Pouco tempo depois, retornou à sua região e começou a participar e conduzir reuniões de oração e evangelização. Sua mensagem tornou-se conhecida pela simplicidade e pelo forte apelo à transformação pessoal, sendo frequentemente sintetizada em quatro princípios:
- 1Confesse a Deus todo pecado conhecido e não confessado.
- 2Abandone tudo aquilo que, em sua vida, seja contrário à vontade de Deus.
- 3Esteja disposto a obedecer à direção do Espírito Santo.
- 4Confesse publicamente sua fé em Jesus Cristo como Salvador.
As reuniões cresceram rapidamente, em meio a um ambiente de intensa oração e busca por renovação espiritual que já se manifestava em diferentes comunidades do País de Gales.
Entre outubro e novembro de 1904, o movimento ganhou grande intensidade e permaneceu exercendo forte influência durante os meses seguintes de 1905.
Relatos da época descrevem profundas transformações pessoais e comunitárias. A literatura cristã dedicada ao tema registra milhares de conversões e uma ampla repercussão social e religiosa. Wesley Duewel, na obra Toque o Mundo Através da Oração, citada na memória histórica das Igrejas de Deus, atribui ao movimento aproximadamente 120 mil conversões.
Mais do que os números, entretanto, o Avivamento Galês tornou-se conhecido pela ênfase na oração, no arrependimento, na confissão de fé, na santificação e na busca por uma vida inteiramente submetida à vontade de Deus.
Do Avivamento Galês ao Movimento Pentecostal
As notícias do que acontecia no País de Gales atravessaram fronteiras e despertaram em cristãos de diferentes países o desejo por uma renovação espiritual semelhante.
Nos Estados Unidos, um dos que receberam forte influência dos relatos do Avivamento Galês foi Frank Bartleman, evangelista ligado ao movimento de santidade. Estabelecido em Los Angeles, Bartleman intensificou sua dedicação à oração e passou a escrever e divulgar mensagens conclamando os cristãos a buscarem um avivamento naquela cidade.
Nesse mesmo ambiente de expectativa espiritual destacou-se o pastor William Joseph Seymour, pregador afro-americano ligado ao movimento de santidade. Seymour havia recebido ensinamentos sobre o batismo no Espírito Santo e chegou a Los Angeles em fevereiro de 1906.
Após enfrentar resistência à sua pregação, passou a participar de reuniões de oração realizadas em residências. Uma delas acontecia na casa de Richard e Ruth Asberry, na North Bonnie Brae Street.
Em 9 de abril de 1906, durante esse período de oração, Edward Lee relatou a experiência de falar em línguas após receber oração de Seymour. Naquela mesma noite, durante uma reunião na casa dos Asberry, outras pessoas tiveram experiências semelhantes. Poucos dias depois, em 12 de abril, o próprio William Seymour relatou ter recebido a experiência que pregava.
O número de participantes cresceu rapidamente, tornando a residência insuficiente para comportar as reuniões. O grupo passou, então, a se reunir em um prédio situado no número 312 da Azusa Street, em Los Angeles.
Nascia assim o movimento que ficou conhecido como Avivamento da Rua Azusa, ocorrido entre 1906 e 1909 e reconhecido como um dos principais centros de expansão internacional do pentecostalismo no início do século XX.
A partir de Azusa, pessoas de diferentes nacionalidades e denominações levaram suas experiências e convicções para outros lugares, contribuindo para a rápida expansão do movimento pentecostal em diversas partes do mundo.
Embora historicamente não seja adequado atribuir a origem do pentecostalismo moderno a um único acontecimento ou personagem, a Rua Azusa tornou-se um de seus mais importantes marcos de difusão mundial.
A Sociedade Missionária Peniel Chapel e a chegada ao Brasil
Segundo os registros que integram a memória institucional das Igrejas de Deus, dois irmãos que haviam participado do movimento de avivamento no País de Gales posteriormente se estabeleceram em Londres, onde contribuíram para a organização da Sociedade Missionária Peniel Chapel.
A missão desenvolveu atividades evangelísticas e passou a enviar missionários a diferentes países, entre eles o Brasil.
Os registros institucionais situam a chegada de missionários ligados à Peniel Chapel ao Brasil em 1932, estabelecendo-se inicialmente em Corumbá, Mato Grosso.
Além do trabalho evangelístico, esses missionários mantinham ligação com a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, desenvolvendo atividades relacionadas à distribuição e comercialização de Bíblias e literatura cristã. Nesse contexto foi implantada a Casa Bíblica de Corumbá.
Em 1943, parte do trabalho missionário foi transferida para Londrina, Paraná, onde a Missão Peniel Chapel participou da implantação de novas comunidades cristãs.
Segundo a memória institucional, algumas dessas igrejas posteriormente participaram da formação ou se integraram a outros movimentos evangélicos e pentecostais brasileiros, entre eles a Igreja Evangélica Avivamento Bíblico e a Igreja Pentecostal O Brasil Para Cristo.
Eduardo Pablo Joercke e a expansão missionária no Brasil
Entre os primeiros colaboradores da missão no Brasil destacou-se Eduardo Pablo Joercke.
Nascido em 23 de maio de 1913, em Encarnación, Paraguai, Eduardo era neto de pastor luterano alemão. Segundo seu relato biográfico, adquiriu sua primeira Bíblia em 1927, por meio de missionários ingleses que realizavam atividades evangelísticas ao longo do rio Paraguai.
Posteriormente, teve contato com cristãos pentecostais em Santa Cruz, na Bolívia, sendo batizado em 9 de agosto de 1931 pelo missionário pentecostal sueco Gustav Flood.
Em 1932, Eduardo retornou a Corumbá, onde se encontrava enfermo de malária. Naquele mesmo período, o missionário J. Roderick Davies, procedente da Inglaterra, chegou à cidade para desenvolver trabalho evangelístico e representar a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.
Davies organizou uma Casa Bíblica destinada à venda e distribuição de Bíblias e literatura evangelística. Eduardo passou a cooperar com o trabalho e, a partir de 1933, participou de cultos, evangelização de casa em casa e outras atividades missionárias.
Com o crescimento da obra, a missão inglesa adquiriu uma embarcação para alcançar comunidades ribeirinhas. Em seu livro Diário de um Pastor, Eduardo relata que um dos princípios adotados pela Peniel Chapel era priorizar a evangelização de localidades onde ainda não houvesse presença de denominações evangélicas.
Em 15 de março de 1935, Eduardo foi separado para servir como evangelista e missionário da Sociedade Missionária Peniel Chapel, desempenhando também atividades de colportagem ligadas à Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.
A Casa Bíblica de Corumbá tornou-se um ponto de armazenamento e distribuição de Bíblias, folhetos e outros materiais evangelísticos. Paralelamente, a embarcação Peniel passou a ser utilizada nas viagens missionárias pelas regiões ribeirinhas.
Entre 1936 e 1941, essas viagens alcançaram localidades como Sepultuba, Cabaçal, Jauru, Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade, entre outras. Segundo o testemunho de Eduardo, muitas pessoas foram evangelizadas durante esse período, algumas das quais posteriormente exerceram o ministério pastoral na região.
A última dessas viagens de barco ocorreu em 1941. As dificuldades de obtenção de combustível durante a Segunda Guerra Mundial contribuíram para a interrupção das atividades fluviais e para mudanças na estratégia da missão.
Em 1943, a igreja existente em Corumbá foi entregue ao ministério da Assembleia de Deus.
Em abril de 1945, Eduardo seguiu para Londrina, onde voltou a cooperar com a Missão Peniel Chapel, especialmente na formação de novos obreiros. Em 1947, foi convidado a auxiliar um trabalho missionário em Teófilo Otoni, Minas Gerais.
Posteriormente, decidiu retornar a Corumbá. Após comunicar sua decisão à missão inglesa, encerrou sua vinculação com a Peniel Chapel depois de aproximadamente treze anos dedicados à evangelização e à colportagem, retornando à cidade em 25 de janeiro de 1948.
As Igrejas de Deus no Brasil
O trabalho desenvolvido por missionários ligados à Peniel Chapel alcançou diferentes regiões brasileiras.
Em 1947, alguns missionários estabeleceram-se em Teófilo Otoni, Minas Gerais, onde participaram da implantação de uma igreja pentecostal. A partir desse trabalho, outras comunidades foram surgindo na região.
Segundo os registros institucionais utilizados como fonte desta história, parte dessas igrejas posteriormente se organizou em denominações pentecostais, entre elas a Igreja Evangélica Pentecostal, com sede em Teófilo Otoni/MG, e a Igreja de Deus Reavivamento Pentecostal, com sede em Nanuque/MG.
Esses acontecimentos integram o contexto histórico e espiritual no qual diferentes comunidades identificadas com a tradição das Igrejas de Deus se desenvolveram no Brasil.
É importante, entretanto, distinguir esse contexto histórico mais amplo da trajetória institucional específica da Igreja de Deus Missionária, cuja organização em Teresina ocorreu décadas depois. Os registros aqui utilizados não apresentam elementos suficientes para afirmar uma linha institucional direta e ininterrupta entre as denominações anteriormente mencionadas e a posterior organização da IDM em Teresina.
Por essa razão, a história da Igreja de Deus Missionária é apresentada, a seguir, a partir de seus próprios registros institucionais.
A Igreja de Deus Missionária em Teresina
A Igreja de Deus Missionária (IDM) foi organizada em 10 de abril de 1998, na cidade de Teresina, Piauí, tendo como membros fundadores um grupo de 42 irmãos.
Segundo a memória institucional da denominação, sua organização nasceu de um propósito missionário compreendido por esse grupo como um plano revelado por Deus.
Desde sua origem, a IDM assumiu uma identidade marcada pela evangelização, pelo ensino das Escrituras, pela comunhão cristã e pela expansão missionária.
A igreja estabelecida em Teresina tornou-se, assim, o ponto de partida para a implantação de novos trabalhos em outras cidades e estados brasileiros.
A expansão missionária da IDM
A vocação missionária presente desde a organização da Igreja de Deus Missionária resultou na abertura e no apoio a trabalhos em diferentes localidades.
A partir de Teresina, a obra alcançou cidades como Parnaíba/PI, Maceió/AL, Marabá/PA, Natal/RN, Esperantina/PI, Pedro II/PI, São Luís/MA e Timon/MA, ampliando a presença da Igreja de Deus Missionária em diferentes regiões do país.
A atuação missionária também ultrapassou as fronteiras nacionais. Conforme os registros institucionais que servem de base para esta história, as Igrejas de Deus têm desenvolvido ou apoiado atividades missionárias em Moçambique, Peru, Ilhas Canárias e entre comunidades indígenas, incluindo a Aldeia Escalvado (Canelas).
Somam-se a essas iniciativas os trabalhos locais de evangelização, as células, ações de assistência e recuperação e iniciativas como a Comunidade Terapêutica Betesda.
Essa trajetória expressa uma característica presente desde as origens da denominação: a compreensão de que a Igreja existe não apenas para reunir aqueles que já professam a fé cristã, mas também para anunciar o Evangelho, formar discípulos e servir às pessoas onde quer que surjam oportunidades para a missão.
A Igreja de Deus Missionária em Maceió
A história da Igreja de Deus Missionária em Maceió/AL teve início por meio do trabalho do missionário Francisco André Nunes Leão.
Após sua conversão ao Senhor Jesus na Igreja de Deus Missionária em Teresina/PI, Francisco André retornou a Maceió com o propósito de compartilhar a fé que havia abraçado e dar continuidade à obra missionária.
As primeiras reuniões foram realizadas na residência de seus pais, Elza e Darcy Leão, por ocasião de seu aniversário, celebrado em 24 de maio.
Utilizando aquela ocasião para reunir familiares e outras pessoas, Francisco André iniciou os primeiros cultos nos lares. A partir desses encontros, o trabalho começou a crescer e a se consolidar, dando origem à Igreja de Deus Missionária em Maceió.
Por esse motivo, 24 de maio tornou-se também a data comemorativa do aniversário da igreja em Maceió, coincidindo com o aniversário do missionário Francisco André Nunes Leão e preservando, assim, a memória do marco inicial da obra missionária na capital alagoana.
A história da IDM em Maceió integra, portanto, a trajetória de expansão missionária iniciada a partir da Igreja de Deus Missionária em Teresina e representa a continuidade do compromisso de anunciar o Evangelho, formar discípulos e servir à comunidade, mantendo como fundamento a Palavra de Deus e a missão confiada por Jesus Cristo à Sua Igreja.
